Não vida

Era ela bela, era ela rica, era ela infeliz. Morta, não-morta. Viva na não-vida. Enquanto sorria, sofria, vivia, era ela viva. Era ela admirada, invejada, querida, era ela certa de que o sol viria. Agora apenas a noite é o guia. Sonho ruim que não acaba.

Não mais dúvida, certeza. E agora? Recém-nascida para a morte, sentia saudades da vida. Dos sorrisos, dos amores, dos quereres e sabores. Mas que luz é aquela que surge ao longe? Aqui não tem sol, de onde ela vem? Se aproxima. No começo, vem lenta como o passar das noites eternas.

A luz a encontra, envolve, desperta. Lágrimas orvalham seu rosto. Cheiro de amor, sensação de calor. Era ela bela, era ela rica, era ela amada.

PS: esse texto, assim como o Por que tem que doer?, foi inspirado pelo suicídio de uma jovem bela e bem-sucedida da sociedade porto-alegrense. A morte dela me fez pensar e eu quase vomitei esse texto. A prosa poética não é minha especialidade - nem sei qual é, na verdade -, mas foi o que saiu. Espero que gostem. 

Por Daiane Santos

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